Lamentemos, há motivos.
Saramago, um homem e escritor, libertava o ser humano da escravatura da palavra e a espécie humana da escravidão da teologia divinizada. Não se vergava. Não se ajoelhava. Não bajulava. Era frontal e incisivo. Punha "cirurgicamente" o dedo na ferida da sociedade humana. Desmascarava. Lutava pela dignidade humana, contra a hipocrisia, pela libertação dos oprimidos, dos escravos modernos. Lucidez, perspicácia, frontalidade, clarividência, independência, sentido crítico, num ser humano com um modelo de ética intelectual inigualável. A simplicidade é uma virtude dos génios, Saramago era simples.Já repousas na tua última morada, e a partir de agora caberá a nós, teus seguidores, honrar a tua memória, relembrar a tua presença, e congratular-te por teres sido um enorme ser humano. Homenagear-te-emos continuando a luta, aguçar a mente crítica e seguir em frente.
“Por que foi que cegámos, Não sei, talvez um dia se chegue a conhecer a razão, Queres que te diga o que penso, Diz, Penso que não cegámos, penso que estamos cegos, Cegos que vêem, Cegos que, vendo, não vêem” [Ensaio Sobre a Cegueira, de José Saramago]
Obrigado Saramago... és vida nos meus pensamentos!
Morre a pessoa, eterna fica a obra.